Apuração Eleições 2018

Dizem que os amantes da política sempre estão de olho na próxima eleição, mesmo antes do término do pleito em andamento. Com base nas estimativas de voto apontadas pelas pesquisas de opinião, alguns dirigentes partidários e especialistas acreditam que o resultado das urnas poderá apontar alguns cenários para 2018.

As previsões são divergentes entre os especialistas consultados por A Tribuna. A dificuldade para imaginar o que vai acontecer no futuro é natural. Afinal, há muitas variáveis e situações que podem ocorrer nesse período de dois anos.

Para o mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Esamc Santos, Ciro Ribeiro Coutinho, o desgaste do PT foi muito forte, porque não conseguiu administrar a crise econômica e de imagem da própria legenda.

“Cerca de um terço dos prefeitos filiados do PT deixou o partido para disputar a reeleição por outras siglas. Mas vejo de uma forma geral que há um desgaste geral com os políticos tradicionais”, afirmou.

Por esse motivo, o docente acredita que o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Dória (PSDB), venha liderando as consultas de intenção de voto por não ser um político de carreira, embora seja de um partido tradicional.

Conforme o especialista, as eleições municipais podem influenciar no pleito de 2018, porque alguns partidos de oposição ao PT têm a chance de estarem mais fortalecidos, mas eles podem sofrer desgaste, caso a economia do País demore para se recuperar.

“Talvez daqui a dois anos possa surgir algum nome novo, alguém que seja uma novidade e que possa ter mais chance de vitória do que os políticos tradicionais. No entanto, o PT ainda tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é um nome forte. Uma vitória nas eleições de agora não significa uma vitória natural em 2018”, ressaltou Coutinho.

Cenário dinâmico

Doutorando e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Rafael Moreira Dardaque Mucinhato acredita que as eleições municipais são um pouco descoladas do pleito geral.

“Apesar de todo o desgaste do PMDB, vejo que o partido vai continuar comandando a maioria das prefeituras do País. Muitos candidatos dessa sigla já fazem o que o PT faz agora: esconder a legenda na campanha e não apresentar uma identidade única”, disse.

Sobre o pleito de 2018, Moreira entende que não é fácil apontar um cenário. Fica difícil saber quem seriam os candidatos à Presidência pelo PT – caso não seja Lula – e pelo PSDB, que vive grande disputa interna.

“É provável que haja uma candidatura forte de esquerda, assim como de direita, que poderia ser o próprio deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), mas acho difícil agradar ao eleitorado de centro”.

Esquerda mantém chances

O professor de Teoria Política do curso de Ciências Sociais da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), André Rocha Santos, entende que a esquerda não está tão fraca como muitos especialistas sugerem.

“O estrago dessa crise política, que se canalizou para o PT, não afetou de maneira tão forte a esquerda como se é propagado por aí. Vejo que vários candidatos a prefeito (de partidos de esquerda) têm chances reais de disputarem o segundo turno em grandes municípios e capitais. Em 2014, muitos não esperavam que a vitória da (presidente cassada) Dilma Rousseff (PT) e ela acabou ganhando no voto”, destacou.

Para o pleito de 2018, o docente acredita que o cenário pode ter grandes mudanças com a nova minirreforma eleitoral que está em discussão no Senado, cujo relator é o integrante da bancada paulista Aloysio Nunes (PSDB).

A criação da cláusula de barreira – norma que impede ou restringe o funcionamento parlamentar ao partido que não alcançar determinado percentual de votos – e o fim das coligações proporcionais seriam as principais alterações nas propostas em debate.

“Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrar na disputa será um cenário. Sem ele, a esquerda poderá ter outras opções”, afirmou.

Por outro lado, ele crê que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) poderá vir forte para a disputa do Palácio do Planalto, caso o empresário João Dória (PSDB) vença a disputa para a Prefeitura de São Paulo.

?>